Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Não há preto e branco no azul

Existem coisas pequenas, mas que com poder absurdo movem esse universo desde o mínimo átomo até sistemas solares completos, e um desses ingredientes é o amor, sentimento mais nobre do ser humano, sentimento que aumenta nossa força, nos dá respostas ou nos livra de perguntas, pra ele não existem tempo, nem fotografia que nos faça lembrar bons e reais momentos.
Pegamos nosso caso clássico, Spike teve que morrer duas vezes por seu amor Júlia, Júlia sempre Júlia, mulher de nome poderoso e de uma presença astral incrível, por ela Spike agüentou cada segundo que lhe foi dado e por ela, sempre tendo ela em seu pensamento ele suportou todas as desavenças que teve até o dia de seu reencontro com Júlia, e isso finalmente lhe trouxe a paz? Não, esse esforço gigante para somente ver sua amada Júlia morrer em seus braços, masss mesmo assim , mesmo perto da morte, o amor e Júlia pregam mais uma peça em Spike com os simples dizeres "isso tudo é um sonho?", é claro que o cara não pensou duas vezes e logo tratou de se juntar a ela de modo heróico, matando quem a matou, no caso Vicious.
Não adianta o quão forte você queira, o passado não sai de nossas cabeças, tanto da minha quanto de Spike e Julia, o passado sempre aparece nas horas escuras e nos faz picadinho, nos torturando por termos sempre feito as escolhas e ações erradas, eu e ela e ele sabemos o quanto coisas erradas fizemos, quantas pessoas tiveram que sofrer, sair de nossas vidas ou então morrer, para que nós continuemos a respirar, mas essas marcas ficam na gente como cicatrizes, e nunca somem, e pior, sempre aparecendo nas horas quando mais nos sentimos sozinhos, sem apoio e sem futuro, dizem que o passado é de onde tiramos nosso bom senso pro futuro, e esses erros, impulsionados pela força do amor, pioram muito mais as coisas.
Como Faye disse em "The Real Folk Blues, part 2" ela é que nem um Demônio Angelical, impossível de ser esquecida e que sempre permanece em nossas lembranças até o dia que ela reaparecer e mudar novamente com nossas vidas. E essa e qualquer outra Júlia, contêm esse poder sem saber, não é pelo fato "dessa" Júlia ser uma mulher super atraente com sua roupa justa em couro, cabelos louros maravilhosos, saber exatamente o que dizer na hora certa e uma grande habilidade com a arma que ela não possa estar por ae, andando tranquilamente pelas ruas. Se eu já tive minha Júlia em minha vida? Já sim. Não tão misteriosa e habilidosa quanto a do Spike, mas meu nível de amor poderia com certeza fazer com que eu morresse e vivesse novamente somente para ver a cara dela. Isso me tornaria um Cowboy? Não a tanto, porém, eu enfrentaria a tudo para poder vê-la novamente, mas a historia real difere um pouco das do desenho.
Uma coisa básica a dizer nisso tudo é que quando nascemos uma estrela nasce junto com a gente e permanece brilhando para nos proteger, e quando aliado a outra estrela seu brilho tende a dobrar de intensidade, e quando morremos essa estrela também perde seu brilho e morre.
tenho outra, diretamente de "The Real Folk Blues part2". Existia um gato que tinha listras de tigres, e ele já tinha morrido e vivido um milhão de vezes, sempre arrumava um dono que logo não ligava mais para ele, até o dia que ele decidiu virar um gato vadio de rua, e foi aí que ele encontrou uma gata branca, e eles ficaram juntos, até o dia que ela morreu então o gato com listras de tigre chorou um milhão de vezes e então morreu de vez.
e isso tudo, cada palavra, cada momento e cada capítulo só vem nos justificar o poder que o amor nos proporciona, poder que nos controla inteiramente.
A pergunta é: Vale a pena passar por tudo isso?

Claro que vale!



Spike e Júlia, amor verdadeiro e incondicional, isso existe mesmo na vida real?

musicas para escutar lendo esse texto: Yoko Kanno – Blue, The Real Folk Blues, Call Me Call Me e Farewell Blues

Adriano, chorando e refletindo toda santa vez que revê Cowboy bebop!

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