Pegamos nosso caso clássico, Spike teve que morrer duas vezes por seu amor Júlia, Júlia sempre Júlia, mulher de nome poderoso e de uma presença astral incrível, por ela Spike agüentou cada segundo que lhe foi dado e por ela, sempre tendo ela em seu pensamento ele suportou todas as desavenças que teve até o dia de seu reencontro com Júlia, e isso finalmente lhe trouxe a paz? Não, esse esforço gigante para somente ver sua amada Júlia morrer em seus braços, masss mesmo assim , mesmo perto da morte, o amor e Júlia pregam mais uma peça em Spike com os simples dizeres "isso tudo é um sonho?", é claro que o cara não pensou duas vezes e logo tratou de se juntar a ela de modo heróico, matando quem a matou, no caso Vicious.
Não adianta o quão forte você queira, o passado não sai de nossas cabeças, tanto da minha quanto de Spike e Julia, o passado sempre aparece nas horas escuras e nos faz picadinho, nos torturando por termos sempre feito as escolhas e ações erradas, eu e ela e ele sabemos o quanto coisas erradas fizemos, quantas pessoas tiveram que sofrer, sair de nossas vidas ou então morrer, para que nós continuemos a respirar, mas essas marcas ficam na gente como cicatrizes, e nunca somem, e pior, sempre aparecendo nas horas quando mais nos sentimos sozinhos, sem apoio e sem futuro, dizem que o passado é de onde tiramos nosso bom senso pro futuro, e esses erros, impulsionados pela força do amor, pioram muito mais as coisas.
Como Faye disse em "The Real Folk Blues, part 2" ela é que nem um Demônio Angelical, impossível de ser esquecida e que sempre permanece em nossas lembranças até o dia que ela reaparecer e mudar novamente com nossas vidas. E essa e qualquer outra Júlia, contêm esse poder sem saber, não é pelo fato "dessa" Júlia ser uma mulher super atraente com sua roupa justa em couro, cabelos louros maravilhosos, saber exatamente o que dizer na hora certa e uma grande habilidade com a arma que ela não possa estar por ae, andando tranquilamente pelas ruas. Se eu já tive minha Júlia em minha vida? Já sim. Não tão misteriosa e habilidosa quanto a do Spike, mas meu nível de amor poderia com certeza fazer com que eu morresse e vivesse novamente somente para ver a cara dela. Isso me tornaria um Cowboy? Não a tanto, porém, eu enfrentaria a tudo para poder vê-la novamente, mas a historia real difere um pouco das do desenho.
Uma coisa básica a dizer nisso tudo é que quando nascemos uma estrela nasce junto com a gente e permanece brilhando para nos proteger, e quando aliado a outra estrela seu brilho tende a dobrar de intensidade, e quando morremos essa estrela também perde seu brilho e morre.
tenho outra, diretamente de "The Real Folk Blues part2". Existia um gato que tinha listras de tigres, e ele já tinha morrido e vivido um milhão de vezes, sempre arrumava um dono que logo não ligava mais para ele, até o dia que ele decidiu virar um gato vadio de rua, e foi aí que ele encontrou uma gata branca, e eles ficaram juntos, até o dia que ela morreu então o gato com listras de tigre chorou um milhão de vezes e então morreu de vez.
e isso tudo, cada palavra, cada momento e cada capítulo só vem nos justificar o poder que o amor nos proporciona, poder que nos controla inteiramente.
A pergunta é: Vale a pena passar por tudo isso?
Claro que vale!

Spike e Júlia, amor verdadeiro e incondicional, isso existe mesmo na vida real?
musicas para escutar lendo esse texto: Yoko Kanno – Blue, The Real Folk Blues, Call Me Call Me e Farewell Blues
Adriano, chorando e refletindo toda santa vez que revê Cowboy bebop!

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