sábado, 28 de maio de 2011

um dia dela, pelo meu ponto de vista

Um dia de semana comum, tempo fechado com neblina e forte tendência a chover, eu estava vendo programas horríveis na TV zapeando de canal em canal sem achar nada de interessante a horas. Começa a chover fraco e gradativamente foi se tornando uma tempestade forte enquanto eu folheava alguns desenhos antigos.
Foi um susto quando escuto a campainha tocar, fui ver quem estava no portão e foi quando eu a vi, cabelos molhados e braços cruzados para tentar combater o frio que a chuva trouxe junto consigo, logo peguei a chave e corri descalço pelo corredor molhado, a essa altura não me importava estar com os pés molhados e disso tudo pegar um resfriado, me importava mesmo era tirá-la da chuva.
Ela caminhou pelo corredor tranquilamente, parecia também não se importar com a chuva forte que caía ou então de tão molhada que estava já se sentia vencida, eu corri para pegar uma toalha para ela enquanto ela tirava seus sapatos encharcados, ela começou pelo cabelo, longos cabelos castanhos escuros encaracolados, eu já me preocupando se ela tinha molhado seus documentos ou danificado seu celular pedi para ela me dar tudo dos bolsos, notei que estava tudo muito molhado e saí a procura de um secador de cabelos dentro de casa.
A tempestade aumentava e os trovões assustavam de tão fortes, enquanto eu deixei o secador ligado secando seus documentos e o seu celular, ela tirava sua jaqueta jeans e a colocava pendurada na janela da entrada de casa. Dei-lhe outra toalha seca e assim ela entrou rapidamente e foi direto para o banheiro de onde saiu bons minutos depois.
Eu estava fazendo um chocolate quente para ela e fui até a área de serviço, liguei o seu celular e vi que estava funcionando normalmente, mas que a tela estava com algumas gotas, eu a avisei e ela nem pareceu se preocupar então se sentou a mesa e começou a tomar o chocolate que eu preparei do jeito que ela gosta.
Fiquei escorado na pia da cozinha apenas a observando enquanto ela contava sobre seu dia, sua corrida para postar suas coisas no correio, suas visitas nas casas das clientes e o modo que a chuva a pegou de surpresa. Eu só tinha olhos para as pernas brancas dela e do movimento suave que ela fazia para beber seu chocolate, foi quando um forte trovão apagou toda a luz.
Como ainda estava tarde, uma luz reduzida entrou pela casa e eu continuei a observando, ela ficava olhando para os lados, com a caneca de chocolate quente em uma mão e esticando sua cabeça para ver se tinha alguma coisa queimada
Eu saí do lado da pia e me aproximei dela enquanto ela terminava seu longo gole de chocolate, a peguei pela mão e a coloquei na cama envolvendo-a no edredom, saí e desliguei coisas de suas tomadas, tranquei a porta de entrada para a sala e me juntei a ela, enquanto eu ouvia sua forte respiração eu passava a mão em seu rosto de pele suave, sabe quando a gente faz o mais certo possível na situação mais perfeita possível? Estar do lado dela, nesse tempo fechado, cinza, aonde as palavras ecoavam em alto volume. Era esse nosso mais certo possível.
Enquanto eu parei para ouvir um pouco a tempestade, ela se vira, me beija, coloca sua mão em meu peito e finalmente dorme, eu não poderia estar em melhor situação, o máximo que pude fazer era acompanhá-la e então fechei meus olhos e me juntei a ela.
Horas depois eu acordo e um céu lindo estava radiando em minha janela, a tempestade havia passado, ao olhar para o lado ela não estava mais, saí e a vi sentada no sofá da sala com as pernas cruzadas vendo algum videoclipe, balançando a cabeça e revirando alguns papeis, cabelo amarrado e com um balde de pipoca ao seu lado.
Me sentei ao lado dela e enquanto conversávamos sobre compromissos de final de semana, eu analisava todo movimento dela, seu sorriso, suas expressões, movimentos de braços, mãos, pernas, cabeça, não queria perder nada. Irradiação de alegria eram marcas de uma boa conversa com ela, não tem tempo ruim que a derrube, chuva que molhe seu bom humor ou trabalho sequer que a faça ser menos expressiva.
Levantei e fui para o quarto do computador e a deixei com suas coisas, tenho que terminar alguns resumos e fazer algumas pesquisas e por horas só ouvia os passos dela de um lado para o outro, cantando refrões de musicas em volume alto e pronunciando palavras inexistentes quando eram as estrofes, nas musicas em que tinham frases que falavam de amor, relacionamento ou coisas semelhantes ela cantava mais alto para que eu escutasse, e meu sorriso sempre abria, era impossível não participar daqueles momentos dela.
Quando eu estava mais focado em minhas coisas em frente à tela do computador eis que ela me entra como um furacão, tirando roupas nossas jogadas nas cadeiras, colocando livros de volta em seus lugares, CDs em suas respectivas caixinhas, papeis sem importância separados dos com importância e jogando o resto na lixeira.
Eu coloquei meus pés na quina da mesa, peguei impulso e enquanto rodava a cadeira, consegui pegar ela pela cintura fazendo-a cair em meu colo, como se fosse um movimento de dança perfeitamente executado, ela gritava e dava gargalhadas enquanto eu a beijava no pescoço, coloquei-a em pé e assim ela continuou seu furacão de arrumação pela casa.
Já passava das 7 quando ela aparece batendo palmas e me mandando me arrumar, eu levantei da cadeira apertando o Power off do computador, calcei meus chinelos e fui ao nosso quarto escolher uma roupa enquanto ela separava um par de sapatos adequados para a ocasião, um jantar de negócios.
Entrei no banheiro e comecei a tomar meu banho ouvindo ela filosofando sobre roupas, o que deveria ou não usar, reclamando que já estávamos atrasados e que era um jantar muito importante para ela.
Eu comecei a pensar no que iria dizer e como iria me comportar nesse jantar tão importante para ela, o que iria comer e beber, pensando qual cadeira eu iria escolher. Foi quando ela repentinamente entrou no banheiro me empurrou de lado e tomou seu espaço na direção da água do chuveiro, eu só pude observar tudo, com aquela sensação clara de quando um fã encontra seu ídolo pela primeira vez e permanece estático sem saber o que dizer ou o que fazer, eu estava assim, ainda mais vendo ela nua, passando seu sabonete liquido rapidamente pelo corpo e dizendo para irmos rápido, que estávamos atrasados e que não ia ser bom deixar o empresário esperando, mas eu estava sem controle do meu corpo, só conseguia observar ela, eu conseguia ver cada gota de água caindo em seu corpo, se misturando com a espuma e escorrendo para o chão, até que um grito dela me fez acordar e assim pude sair do banheiro e ir para o quarto.
Eu já estava colocando a gravata quando ela saiu do banheiro, de tanta pressa, nem se importou de entrar nua no quarto, ela me olhou, deu uma piscadinha e disse alguns elogios a roupa que vesti, e eu só olhava para ela, sua pele brilhava que nem ouro, seu corpo era escultural, o que eu mais amava olhar era seus braços, eram maravilhosos e torneados. Num estante ela entrou em um lindo vestido vermelho, colocou algumas jóias, deu uma rápida arrumada no cabelo, borrifou seu perfume, colocou seu sapato e já estava pronta enquanto eu verificava seus documentos, alguns, por sorte os menos importantes, haviam sido prejudicados pela chuva, mas o que deu para salvar eu coloquei na sua bolsa favorita, a entreguei e enfim estávamos prontos para sair.
Enquanto esperávamos o táxi, eu notei que todos a olhavam hipnotizados, os homens estavam divididos entre apreciação e excitação, as mulheres ficavam fascinadas pela sua beleza e ela parecia mais se importar com a demora do veiculo do que estavam achando dela.
Depois da chegada do taxi, demoramos menos de vinte minutos para chegar ao restaurante, lugar qual eu e ela adoramos sem duvidas e temos bons momentos passados aqui.
Para nossa sorte, o empresário e nosso convidado ainda não tinha chegado, então eu ouvi um respiro aliviado dela enquanto eu cumprimentava o pessoal do restaurante.
Dez minutos depois, nosso convidado chega com sua esposa e então nos levantamos, nos cumprimentamos e eu com o meu cavalheirismo embutido puxei a cadeira para que ela se sentasse enquanto o empresário fazia o mesmo com sua esposa.
Vários minutos são gastos com apresentações e reclamações com o transito e com o tempo até que a real conversa comece, ela, aparentemente muito nervosa segura forte minha mão por baixo da mesa e eu tentava a confortar o máximo que podia, ele logo se mostrou empolgado com o projeto dela e começou a falar em altas quantias, regiões em qual o projeto daria mais lucro, vendas no exterior e coisas mais detalhistas. Eu logo fui atraído pelo brilho que saía dos olhos dela, era o mesmo brilho que os olhos dela davam quando eu fazia surpresas para ela, ou quando eu disse que nunca mais poderia viver sem ter ela ao meu lado.
Vê-la feliz e tendo seus projetos realizados era o que mais poderia me deixar feliz, eu vivo em função dela, por ela e para ela, claro que ela estava irradiando mais alegria do que todos naquele restaurante, era a mesma energia de horas atrás, enquanto ela tomava seu chocolate no conforto da casa dela e com quem mais a quer bem, mas tinha uma intensidade magnífica, parecia que essa alegria dela poderia facilmente iluminar uma cidade por uma noite inteira.
Negócios concluídos, papeis assinados, mãos apertadas, desejos de boa noite trocados, voltamos para casa a pé, dispensamos o carro para que ela possa vir comemorando pelo caminho, não era um trajeto longo e também não era tarde. E de mão dadas ela não se continha com um sorriso e começou a pensar em coisas antes engavetadas por nós, projetos, planos, casas, carros, lugares, coisas a fazer e tudo mais, falava coisas que eu já tinha esquecido e suava de tanto gesticular e eu também suava de tanto a abraçar e a rodar, eu alimentava suas idéias e ela abria mais o sorriso, não sabia se chorava se gritava ou se reclamava das dores que seus sapatos estavam lhe dando.
Uma hora depois chegamos em casa, eu com os sapatos e a bolsa dela na mão e ela com os cabelos bagunçados e segurando o vestido para não o sujar, entramos e ela logo pegou o telefone e ligou para suas amigas e a gritaria começou, enquanto ela chorava contando como foi o jantar eu só fiquei checando as coisas em casa e colocando as coisas em seus lugares.
Mais tarde, eu estava sentado na sala vendo os noticiários da madrugada, quando a televisão apaga, eu começo a tatear o sofá em minha volta procurando o controle e aí na frente da televisão ela me aparece dançando, finalmente eu ganharia minha merecida recompensa.
Ela colocou uma musica bem lenta pra tocar, posicionou o abajur para que a iluminação ficasse no ponto, e com o mesmo vestido do jantar ela começou a dançar sensualmente pra mim, dizendo coisas maravilhosas sobre nós, sobre mim e lentamente ia revelando sua lingerie. Eu, para variar, totalmente estático, anestesiado, brisado, só pude observar enquanto ela se movia. Para mim tudo que ela fazia parecia ser em câmera lenta, eu não deixava escapar nenhum detalhe, eu queria ver tudo.
Quando ela chegou perto de mim eu só tive tempo de segurar bem o seu rosto e beijá-la, ela deixava transparecer que era uma mulher amada, realizada e infinitamente feliz e eu me sentia sortudo por estar todo esse tempo ao lado dela, enfrentando a tudo e a todos por ela, por esse momento de estarmos juntos.
A peguei pelo colo, e enquanto ela me abraçava forte e sussurrava palavras de agradecimento no meu ouvido, eu a levava para o nosso quarto, aonde por horas e horas, comemoraríamos nossa vitoria.

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